2 anos

de sucesso no mundo do samba

Candeia-foto de Caio Flavius - CópiaCandeia é binário, excelentemente binário.

O primeiro deles, aos 22 anos, um policial civil rigoroso, duro, que, ao que parece, não era corrupto, mas que utiliza distorções do poder policial, nos subúrbios, e passa a mandar/humilhar pessoas iguais a ele, ou seja, pobres, negros, discriminados, sem direitos...mas para isso ostentando a logomarca de sua corporação.

Em seja, a cultura policial passa a mandar na alma de Candeia, um negro forte, determinado, caprichoso, intuitivo, portelense, interessante, que conseguia mulheres de todos os tipos, com sua postura fora e dentro das quadras.

O segundo tempo de Candeia é uma descoberta profunda da falta deste poder numa cadeira de rodas. Ele percebeu, ali, após o tiroteio, na Marques de Sapucaí, que lhe tirou os movimentos, que era outro homem.

Não era mais Antonio Candeia Filho, o gostoso negão de Rocha Miranda.

Assim, neste segundo tempo, se dedica a revelar, em primeiro lugar, o grande sambista que ele sempre foi, com composições antológicas, e ao mesmo tempo, torna-se líder afro de sua comunidade.

Ser um líder implicava conhecimento, leitura, pensamento, análise, comparações...

Assim, ao se desligar da GRES Pòrtela, para fundar a GRES Quilombo, em Acari, houve, antes, por parte de Candeia, a produção um manifesto político sobre a situação das escolas de samba e sua apropriação pelas elites brancas.

Pela primeira vez, na história do mundo do samba, um sambista de raiz, não se sabe como, com esse manifesto sobre o samba e seu destino, propõe um novo caminho, a GRES Quilombo.

Ou seja, ele resgata a cultura dos antepassados quilombolas, que, até aquele momento, nunca tinham sido feitos por nenhum sambista.

Candeia, assim, não é apenas uma sambista genial como todos nós sabemos.

É um pensador primeiro do samba, que, é claro, as elites intelectuais, não gostam, pois, ele foi o primeiro sambista nas condições de produção do samba e sua dialética numa sociedade assimétrica e desigual historicamente.

Numa cadeira de rodas, ele faz duas grandes contribuições, ou seja, repensa a escola de samba como território afrobrasileiro e produz muito.

Assim, nesta segunda fase, é o Candeia que todos admiram de montão, pois, suas articulações e seus sambas antológicos invadem os diversos ambientes.

Então, é samba na veia, é Candeia.

Para organizar os 80 anos de Candeia, em 17 de agosto passado, foi criada uma comissão preparatória a, na GRES Quilombo, em Acari, escola fundada por ele, em 1975.

História e memórias de baianas das escolas de samba