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de sucesso no mundo do samba

Rodson Magalhaes LourenoPelo que se depreende do “Regulamento dos Desfiles das Escolas de Samba do Grupo Especial”, realmente a Liga das Escolas de Samba ( Liesa) , nos termos do estabelecido no artigo 3º., somente se responsabiliza com o aspecto envolvendo “ a direção artística dos desfiles”.
Verifica-se, ainda, que a “exclusividade” estabelecida pelo referido dispositivo, resulta do que consta no artigo 2º, do Regulamento, onde fica definido que tais responsabilidades são atribuídas à Riotur por força dos termos do contrato celebrado com a Liesa.


Assim, ao não se conhecer o que prevê o contrato firmado entre a Riotur/Liesa,  indaga-se: de qual órgão seriam as responsabilidades com vistas às condições de assistência aos componentes das agremiações, no que concernem às estruturas voltadas para o atendimento das suas “necessidades básicas, médicas e fisiológicas”, quando, nas áreas destinadas à concentração e a dispersão?
O que tem sido observado no desfile das escolas de samba é uma carência crônica de recursos dessa natureza, o que acaba por levar os foliões  a atitudes extremamente constrangedoras, quando premidos por tais necessidades.
Um detalhe que chama a atenção deste analista é o fato de que o dito Regulamento se revela quase que unilateral, uma vez que só estabelece obrigações às agremiações, revelando-se extremamente autoritário e inflexível, quando não mostra preocupações com alguns direitos básicos do ser humano.
Nesse mister, considerando o previsto no artigo 30 do Regulamento, que cuida dos quesitos em julgamento, entre eles, a fantasia, cumpre abordar as situações que envolvem as baianas, cujas normas vigentes impõem grandes sacrifícios às componentes das alas de baianas, pelo excesso de peso das fantasias e até pelo exagero de alguns adereços às vezes usados pelos carnavalescos, sem o mínimo de consideração e respeito. É observado, também, que os figurinos implicam em dificuldades de locomoção e de acessos a alguns espaços, sem falar da falta de banheiros compatíveis com as condições geradas pela fantasia da baiana ( grande volume).
Por oportuno, não se deve deixar de atentar para detalhes de grande relevância ao abordar este tema, pois, envolve senhoras já com idades avançadas e sendo a maioria portadora de patologias que requerem cuidados e atenção especiais.
Assim, convém repensar a questão, buscando reinventar o modelo em causa. Ou corremos o risco de se ver extinto esse quesito de tanto charme e tradição no nosso carnaval.
Logo, uma vez que a Diretoria Artística dos desfiles tem por escopo garantir o sucesso do evento em pauta, que a Diretoria da Liesa ou da Riotur teria a atribuição de assegurar a saúde e o bem-estar dos foliões, os verdadeiros responsáveis pelo maior espetáculo do planeta?
E agora: “Saudemos as Baianas ou Salvemos as Baianas!?

História e memórias de baianas das escolas de samba