2 anos

de sucesso no mundo do samba

FernandoPintoOs adjetivos são amplos.

Genial, fantástico, futurista, brilhante.

Assim é definido Fernando Pinto, o carnavalesco de duas grandes escolas, GRES Império e GRES Mocidade Independente.

Ele morreu em 1987, aos 42 anos, na Avenida Brasil, num acidente, após deixar um ensaio da Mocidade Independente, em Padre Miguel.

A principal característica de Pinto é que era um intelectual fascinado pela teoria do tropicalismo ensejado pelo movimento da MPB comandado por Gilberto e Caetano Veloso.

Esse movimentou acabou influenciando depois outras manifestações artísticas.

Outro fator relevante em Pinto é que era apaixonado pela cultura brasileira. No entanto, tinha também um pé muito grande nas inovações tecnológicas do futuro.

Em 2001, ele foi campeão pela Mocidade Independente com o enredo “Ziriguidum-Uma carnaval das estrelas”, onde as integrantes das alas de baianas desfilavam com capacetes de astronautas.

Foi uma revolução na fantasia de baianas no carnaval carioca, ninguém jamais esqueceria aquela coisa: a tradição afro vinculada ao futuro tecnológico.

Há quem diga que por causa deste superenredo, Pinto teria sido o pioneiro da estética virtual nas escolas de samba, pois, teria sacado, neste enredo, a futura influência que as tecnologias virtuais teriam na sociedade do futuro.

Além do mais, ele casava, ali, virtualidade com cultura popular neste enredo clássico...era muito forte.

Pinto, Pernambuco, afrodescendente, começou sua carreira fulgurante, em 1971, no GRES Império Serrano com um enredo sobre a cultura nordestina e conseguiu o terceiro lugar.

Era 1972, o enredo era “ Alô, alô, Carmem Miranda”, onde ele poderia exercer sua estética de forma ampla e variada, pois,o enredo mexia com o todo Brasil. Fe z isso e foi campeão do carnaval daquele ano.

Em 1973, voltou a despertar atenção, ainda, no Império Serrano, com o enredo “Viagem encantada Pindorama adentro”, onde dizia para todos da sua admiração profunda pela cultura afrobrasileira e indígena, temas sempre recorrentes em sua estética de desfile.

Ele foi um dos maiores gênios que o carnaval carioca já produziu.
Seus revolucionários enredos futuristas na década de 1980 na Mocidade Independente, privilegiavam as raízes culturais do Brasil. Suas cores preferidas (verde, amarelo, azul e branco), sempre muito bem harmonizadas em seus desfiles.

Pela Mocidade Independente, nos deixou enredos antológicos como "Como era verde meu Xingu", "Tupinicópolis" e "Dona Santa, rainha do maracatu". Sempre fortalecendo as culturas populares.


Jovem, não chegou a completar 15 carnavais no carnaval carioca, mas marcou seu nome de forma profunda, como se tivesse passado décadas à frente das escolas de samba.


O mais interessante de Pìnto é que ele não se encaixava na escola de carnavalescos que se destacavam até então. Fernando Pamplona, Maria Augusta, Rosa Magalhães e Arlindo Rodrigues eram formados em Belas Artes e trouxeram esse conhecimento acadêmico para o mundo do carnaval.

Joãosinho Trinta, Renato Lage e Max Lopes beberam nessa fonte, cada um com suas características, mas vindos da mesma escola.

Fernando Pinto, não.

Ele parecia inaugurar uma nova linha no desfile das escolas de samba.

Fernando era único, e se não parecia seguir ninguém, também não teve sucessores. Sua maior referência era a cultura nordestina que rendeu belas imagens em seus desfiles. Juntando ainda uma estética tropicalista, símbolos da cultura pop e uma inquietude incansável, era um gênio imprevisível.

CONQUISTAS DE PINTO:

- Campeão, em 1972, com o enredo “Alô Alò Carmem Miranda”, pela GRES Império Serrano.

- Campeão, em 1985, pela GRES Mocidade Independente com o enredo “ Ziriguidum 2001- Um carnaval nas estrelas”.

VICES-CAMPEONATOS

- Em 1973, na GRES Império Serrano, com “Viagem encantada Pindorama adentro”.

- Em 1980, na GRES Mocidade Independente, com “Tropicália Maravilha”.

-Em1984, na GRES Mocidade, com o enredo “ Mamãe, eu queroRastafari Manaus-Em 1987, na GRES Mocidade, com o enredo “ Tupinicopolis”.

As escolas sob seu comando ganharam 11 Estandartes de Ouro

Salve, Fernando Pinto!.

História e memórias de baianas das escolas de samba