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de sucesso no mundo do samba

CapadoLivroCandeiaLançado no final dos anos 1980, o livro “CANDEIA: LUZ DA INSPIRAÇÃO”, de João Baptista M. Vargens, ganhou,  sua terceira edição, agora trazendo mais detalhes sobre a vida do sambista ANTONIO CANDEIA FILHO, que morreu, em 1978, aos 43 anos, e foi fundador da escola de Samba Quilombo, feito bastante comentado até hoje.
Além de novas informações sobre o compositor - que começou na GRES Portela, em Madureira -  a obra de Vargens traz ainda um CD com cerca de 21 novos sambas inéditos de Candeia, e se constitui, assim, numa preciosidade de cultura popular da zona norte, que Candeia tão bem representou.
Editado Almadena, de Rio Bonito, o livro faz um passeio completo pela trajetória de Candeia. Filho um gráfico de Rocha Miranda e de uma dona de casa, Candeia foi influenciado pelos pais e irmãos que tocavam  cavaquinho e violão, e  mesmo contra a vontade do pai, ainda jovem, aos 17 anos, compôs seu primeiro samba- enredo.
Dali em diante passou a frequentar a Portela, se tornando um dos mais destacados compositores. Ele se tornou politizado pela amizade com intelectuais de esquerda. Assim,  rompe com a escola de Madureira, e divulga um manifesto mostrando  avanço da descaracterização das culturas negras entre as escolas.
TRECHOS DO LIVRO
Segundo o autor, a Quilombo foi fundada em  8 de dezembro 1975,  Dia de Nossa Senhora da Conceição, entre foguetes e tripa lombeira, na Rua Pinhará, em Rocha Miranda, à sombra de um coqueiro, mas alguns asseguram tratar-se de uma palmeira.
Em fins de 1975, segundo Vargens,  Edgar- cunhado de Candeia –  pediu ao compositor que o ajudasse na compra da bateria para um bloco a ser fundado em Rocha Miranda,  o Quilombo dos Palmares. Candeia concordou  imediatamente, mas ampliou a ideia: “Porque não uma escola de samba?”.
“ Contatos foram feitos. Os amigos mobilizados. O terreno baldio da rua Pinhará, limpo. Dia 8 de dezembro de 1975- dia de Nossa Senhora da Conceição – a grande inauguração do Grêmio recreativo de Arte Negra Escola de Samba Quilombo”, escreve Vargens.
A respeito estar empenhado contra  à descaracterização das escolas tradicionais, Candeia faz sua defesa, na edição  de janeiro de 1976, do jornal “Ultima Hora”, onde faz as seguintes observações:
 “ Não negamos que se trata de um movimento de resistência. Não uma resistência especificamente contra os muitos brancos que estão engrossando os contingentes das escolas. A resistência é tão somente contra a total descaracterização das escolas. A resistência é tão somente contra a total descaracterização da coisa. Evitar que daqui a mais uns tempos ninguém saiba exatamente o que era uma escola de samba. O que era um sambista e de como e para o que eles se reuniam, cantavam e dançavam, utilizando seu ritmo próprio tradicional. Não vejo razão para evitar que um branco bem intencionado, interessado no samba, nos nossos costumes, conviva conosco. O que repeliremos são os que, pretos ou brancos, pretendam inovar, descaracterizando-o, afastando-o de suas raízes culturais. Nosso objetivo é salvaguardar a essência das origens do nosso samba. Não podemos impedir que alguém prossiga, com êxito financeiro, mesmo ferindo o nosso patrimônio cultural, a apresentar coisas outras como o nosso samba. Mas podemos provar, na prática, que a verdade está conosco e que também se pode evoluir, preservando-a”.

Candeia -Grafite na prta da QuilomboOPINIÕES SOBRE CANDEIA/ LIVRO

“Candeia foi um dos primeiros sambistas que conheci quando, na minha adolescência, comecei a frequentar a Portela. Mas a nossa amizade começou de fato quando eu já era adulto e repórter dedicado a escrever sobre as escolas de samba. Portanto, é como amigo do grande Antonio Candeia Filho que, com a maior das convicções, manifesto não só a minha alegria pelo relançamento deste livro, mas, sobretudo, meu sentimento de gratidão a João Baptista Vargens, que não conheço absolutamente  ninguém mais autorizado do que ele para escrever a biografia do imortal compositor e líder comunitário( SERGIO CABRAL pai, na orelha do livro)
“ CANDEIA, LUZ DA INSPIRAÇÃO, de João Baptista M. Vargens – Há duas boas razões para se ler esta biografia de Antonio Candeia Filho, morto aos 43 anos, em 1978. A primeira é conhecer a vida deste grande personagem do samba carioca. Policial com fama de violento, até que uma bala o colocasse numa cadeira de rodas, em 1965. Outro motivo é se descobrir a notável contribuição de Candeia deixou para as escolas de samba, principalmente a Portela. Com apenas 17 anos, compôs seu primeiro samba-enredo vitorioso e criou coreografias inovadoras para a escola. Esses fatos são narrados por Vargens, amigo do compositor, com clareza e sem arroubos de emoção. (REVISTA VEJA,  26-06-1988).
“Candeia-Luz da Inspiração” de João Batista M. Vargens. Verdadeira manufatura editorial. Livro bom, quase perfeito. Linguagem limpa e direta, ideado em sequência lógica do tema. Fácil de ler e compreender. Para ser guardado como recreação, para conhecimento da sambologia carioca e como documento. É um mergulho na transformação do mundo do carnaval, para os “periféricos” entenderem melhor a reação dos “autênticos” do samba portelense fundando a Quilombo.  (ÚLTIMA HORA /REVISTA, 11 -07-1988).
“Criação do Quilombo- Em Luz da Inspiração, João Baptista fala de Candeia numa história que se confundiu com a existência da Portela, e acabou por criar uma filosofia cultural com a fundação, em 8 de dezembro de 1975, do Grêmio Recreativo de Arte Negra Quilombo. Luz da Inspiração indica que Candeia vai permanecer na história da musica brasileira.( ODIA/Caderno D, 11-07-1988).

História e memórias de baianas das escolas de samba