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de sucesso no mundo do samba

Zumbi-PraaOnzeO livro “Guia Patrimonial da Pequena África”, do jornalista e professor Carlos Nobre, Mestre em Ciências Penais pela Universidade Cândido Mendes(UCAM), editado pelo Centro Portal Cultural, patrocinado pela Petrobras, mapeia a contribuição africana na chamada “Pequena África” – bairros da zona portuária de grande influência africana- e também em outras regiões da cidade, ao identificar bustos, estátuas e monumentos que prestam homenagens a afrodescendentes brilhantes como Ismael Silva, Cartola, Machado de Assis, Lima Barreto, Carlos Gomes, Zumbi dos Palmares, João Cândido, entre outros. O livro será lançado, na Semana da Consciência Negra, em 15v novembro, às 14 horas, no Sesc de Madureira, Rua Ewbanck Câmara, 90, ao lado da estação ferroviária.


Em sua pesquisa de campo, o professor Carlos Nobre localizou no município do Rio de Janeiro cerca de 45 bustos ou estátuas que homenageiam personalidades negras célebres ou não. Além disso, o mapeamento patrimonial localizou monumentos a quatro índios e de seis outras celebridades nacionais consideradas “brancas”, mas que participaram ativamente das culturas negras como Noel Rosa, Villa-Lobos, Manuel Bandeira. Braguinha, Lamartine Babo, Castro Alves, entre outros.
Três estrangeiros Michael Jackson ( astro pop), Cuautemoc( líder indígena asteca) e Mahatma Gandhi (líder pacifista indiano) fazem parte do levantamento que aconteceu na Zona Oeste, Zona Norte, Zona Sul e Centro.
Entre os homenageados estão quilombolas, meninos de rua, sambistas, escritores, poetas, jogadores de futebol, santos, orixás e artistas plástico.
Se destacam, nestas homenagens, os monumentos ao almirante negro João Candido, líder da Revolta da Chibata, acontecida no início do século XX, no Rio de Janeiro, e Zumbi dos Palmares, o mais famoso do monumento afrocarioca, na Praça Onze, o sempre louvado com manifestações, em 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra.
A escrava Anastácia, santa negra cuja devoção começou nos anos 1980, na Irmandade Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, é a campeã em homenagens na cidade. Ele tem dois bustos nesta Irmandade e está presente em outras com bustos em Inhaúma, Benfica e Quintino, subúrbios cariocas.
O livro mapeia ainda a presença de irmandades religiosas negras ( seis), árvores africanas( oito) e onze obras do Mestre Valentim (escultor afrodescendente e maior artista do século XVII no Rio) nas ruas, igrejas e irmandades do Rio de Janeiro.
Pelo lado do patrimônio imaterial, o livro identifica locais, territórios e ruas da cidade que têm um forte passado afrodescendente, e mostra como a influência africana na mentalidade da cidade foi muito além do que se esperava como foi o caso da culinária africana que ainda é vendida na chamada “Pequena África”, através do tabuleiros de baianas.
Dorival Caymmio-GMM4“Eu passar por alguns do Rio percebi a existência de estátuas que prestavam homenagens a alguns personalidades negras. Por curiosidade, resolvi pesquisar e encontrei mais homenagens. Assim, pensei num projeto para investigar mais. Acabei ganhando um patrocínio e conclui esse livro que eu acho que é o primeiro no assunto”, explicou o autor do “Guia Patrimonial da Pequena África”.
O professor Carlos Nobre acrescenta ainda que o livro serve como material didático para cursos de História da África nas escolas de ensino Fundamental e Médio que adotaram esse curso como também pode servir de debate acadêmico já que o livro fala também de memória social, pan-africanismo, escravidão e diáspora.
O livro tem 160 páginas, 179 fotos, formato 21x27cm, papel couchê 115g brilho, capa dura, e será distribuído em bibliotecas, centros culturais, entidades afro, escolas, centros de estudo afro.
Ele traz ainda um DVD-documentário, de 50 minutos, mostrando diversos aspectos da cultura imaterial na “Pequena África”, e tem um site abrangendo todo conteúdo do guia, em cinco idiomas (português, inglês, francês, castelhano e italiano). O site é www.guiadapequenaafrica.com.br

O AUTOR DO LIVRO
Carlos Nobre é jornalista, professor e escritor. Autor de sete livros que abordam criminalidade e violência contra pobres (“Mães de Acari I e Mães de Acari II”), relações raciais (“ O negro na Polícia Militar”), direitos humanos (“Que cidadania queremos? Estudos de cidadania e exclusão”), jornalismo investigativo (“Direto do front”), africanidade (“ A África do Sul hoje: a voz da mídia”) e ficção (“O sêmen celestial”). Tem seis prêmios jornalísticos, sendo dois Esso, e oito Monções de Aplauso e Louvor da Câmara dos Vereadores e Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro.

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